quarta-feira


Esse roteiro surgiu como uma brincadeira e eu resolvi levá-lo a sério. Não tenho intenção de pagar de cineasta nem nada do tipo. Essa é a primeira versão - ainda não passou pela revisão de ninguém entendido na área pra poder me ajudar com termos mais técnicos. Ao longo do tempo vou ajustando umas coisas aqui e outras ali e quando finalmente chegar ao resultado final, retiro esse "prefácio".  Ah, sim! Não pude resistir: Fagudes!
 


TE PERDOO


PERSONAGENS
(por ordem de entrada)

CLIENTES DO BAR
FAGUNDES
 GARÇOM 2
AMANTE DE FAGUNDES
PESSOAS, MUITAS PESSOAS
AMBULANTE
GISELA, ESPOSA DE FAGUNDES




















1.  INT. BAR – NOI.


No restaurante alguns clientes já estão servidos. Outros conversam. Alguns parecem muito aborrecidos e levantam a mão a todo o momento chamando pelos garçons. Eles trabalham em ritmo frenético, para lá e para cá, tentando atender a todos. Nesse momento, ao fundo, chega um grupo com três ou quatro pessoas e senta-se em uma mesa. Fagundes passa por trás deles e a câmera passa a acompanhá-lo. Ele vai até o balcão, serve murmurando duas doses de uísque, olha para o pulso e serve as doses para um casal que está na mesa do lado do grupo que chegou. Alguém do grupo assobia e Fagundes vai atendê-los. Não é possível ouvir o que dizem devido ao barulho do ambiente. Fagundes volta para o balcão.

(SEQÜENCIA: FAGUNDES ATENDENDO VÁRIAS MESAS)


Chega GARÇOM 2

Fagundes reclama com ele por algum motivo. Não é possível ouvir o diálogo. O garçom desculpa-se. Fagundes aponta para o relógio, aparentemente irritado por causa de algum atraso do Garçom 2. Entrega-lhe um bloquinho com a caneta, aponta rapidamente para algumas mesas, explicando-lhe o que tem de ser feito. Então sai apressado pela porta do fundo.


2.  EXT. CASA AMANTE – NOI.


Fagundes vem chegando sem pressa com a roupa do trabalho. Ainda andando ele olha para o relógio. Pega um molho de chaves que estava pendurado em sua calça e entra na casa calmamente, como se morasse ali.


3.  INT. CASA AMANTE – NOI.

No sofá uma mulher aparentemente entediada assiste a televisão num volume muito alto. Ela vai passando os canais como se nada a interessasse. De repente, Fagundes entra e ela sorri. Fagundes age como se estivesse em casa. Fala alguma coisa com ela, mas não é possível ouvir, devido ao barulho da TV. Ele senta-se no sofá e com um ar triste continua falando. Fagundes abaixa a cabeça. Ela faz um sinal negativo com a cabeça, não concordando com o que ele diz. A amante o cutuca, depois aponta para si mesma. Ele, meio sem jeito e cabisbaixo, olha para ela. Ela avança para beijá-lo. Fagundes a carrega no colo. Ali mesmo começam a tirar algumas peças de roupas. Fagundes caminha ainda com ela no colo em direção ao quarto. As peças que tiraram vão ficando ao longo do caminho. A câmera pára na porta do quarto, de onde só é possível ver sombras transando.


4.  INT. QUA. AMANTE – NOI.


Close no relógio em cima de um criado-mudo. São 2:30. A câmera vira-se lentamente até parar no rosto de Fagundes, que dorme. De repente, ele vai acordando de um sono profundo. Espreguiça-se. Então olha para o seu relógio no pulso e toma um susto. Olha o relógio em cima do criado-mudo e parece não acreditar no horário. Tentando não fazer barulho, ele recolhe as roupas e as veste rapidamente, muito atrapalhado. Fagundes vai andando na ponta do pé, de meias e com os sapatos na mão até sair da casa.




5.  EXT. RUA – NOI


Fagundes caminha ora apressado, ora aflito. Até que, ao fundo, começa-se a  ouvir uma música ao vivo.


6.  EXT. FESTA - NOITE

É uma espécie de samba de partido-alto. À medida que Fagundes caminha, o som vai aumentando. Há pessoas sambando, bebendo, pessoas vendendo cachorro-quente, sanduíches, churrasquinho. No fundo, uma banda. Fagundes aproxima-se de um ambulante com uma caixa de isopor. Pede-lhe alguma coisa. Não é possível escutar por causa da música. Eles conversam por cerca de vinte segundos. O ambulante tira do isopor uma garrafa de refrigerante de um litro. Fagundes paga e agradece com um sorriso no rosto.

7.  EXT. CASA DE FAGUNDES – NOI


Fagundes caminha completamente tranquilo com a garrafa em mãos até chegar na frente de uma casa. Olha para o relógio. Sorri. Pega um molho de chaves que estava pendurado em sua calça e entra exatamente com o mesmo porte que entrou na casa da amante. (fade out)

8.  INT. CASA DE FAGUNDES – NOI


Fagundes acende a luz. No sofá, Gisela o espera de camisola com os braços cruzados, batendo os pés e uma expressão nada amigável. Ao fundo, pode-se ver um relógio marcando 3:05. Fagundes entra e olha para ela sem dizer nada. Ele deixa a garrafa de refrigerante em cima de alguma mesa ou algum rack na sala da casa. Vai andando em direção ao quarto. Gisela levanta-se do sofá. A câmera os acompanha em seguida até entrar no quarto, de onde não é possível ver nada.




9.  INT. QUARTO DE FAGUNDES – DIA


Um despertador em cima do criado-mudo toca às 06:30. É possível ver alguns raios de sol entrando através de uma janela. Fagundes acorda. Gisela está sentada de costas, à beira da cama.

FAGUNDES
Gisela...?


(silêncio)


FAGUNDES
(continuando)
Gisela, ei, Gisela, cê dormiu?



GISELA
(baixo. irritada)
Você acha que EU sou idiota, né?


FAGUNDES
Idio...??


GISELA
(interrompendo)
EU NÃO SOU NÃO!!



FAGUNDES
Do que você tá falando?

GISELA
(mais irritada)
Você pensa que eu não sei onde você tava ontem à noite.

FAGUNDES
(sem compreender)
Do que diabos é que cê tá falando?


GISELA
Olha, não me faça de idiota, hein?

FAGUNDES
(perplexo)
O quê!?


GISELA
Você tava com outra, né? Pode falar, seu canalha! Você tava com outra mulher que eu sei. Esse seu cinismo não me engana mais! (avança para agredir Fagundes. Ele a detém, segurando-a pelos pulsos)


FAGUNDES
Calma!

GISELA
Filho da puta!! Seu filho da puta!!


FAGUNDES
Meu amor, eu nunca iria fazer isso com você!
(Fagundes solta as mãos de Gisela)

GISELA
(incrédula)
Ah, não!? Então onde é que você tava até tarde ontem, hein? (muito alterada) Onde é que você tava além da casa de alguma vagabunda?

FAGUNDES

Gi... (convicto) eu tava trabalhando.




GISELA
Como é o nome dela, hein?? Como é o nome dela??


FAGUNDES
(paciente e sem perder a convicção)
Me ouve, por favor.... eu tava trabalhando. TRA-BA-LHAN-DO!

GISELA
Até 3 da manhã?? Ah, me faça uma garapa...


FAGUNDES
Trabalhando sim, claro! Por que não? Ontem rolou um imprevisto. Do nada chegou umas trinta cabeças lá no restaurante, tudo gritando, dizendo que era aniversário de não sei quem, e que eles iam fechar o bar, que isso, que aquilo e que aquilo outro....

(Gisela vai ouvindo, sem querer acreditar muito)

FAGUNDES
(continuando)
Ainda pagaram a conta de todo mundo, deram gorjeta pra todos os garçons. Nunca vi gente assim...


(Gisela vai sendo convencida pelo relato de Fagundes)

FAGUNDES
(continuando)
Saíram de lá já era umas duas, duas e pouca. Eu sabia, eu juro que sabia que cê ia achar que eu tava comendo alguma puta por aí, que eu tava bebendo... eu cheguei em casa bêbado ontem, Gisela?

GISELA
(baixo)
Não.

FAGUNDES
Hein?!?

GISELA
Não!!

FAGUNDES
Pois é! Enquanto eu trabalho, enquanto eu tô dando duro pra sustentar a gente, pra manter a gente vivo aqui, você fica duvidando de mim, achando que eu tô com outra pessoa...

GISELA
Então aquela garrafa de refrigerante...


FAGUNDES
Isso mesmo. Eu trouxe de lá do serviço. Onde mais é que eu ia conseguir uma daquela em plena madrugada? Nem em loja de conveniência.

GISELA
(arrependida)
Meu amor, me perdoa por duvidar de você!

FAGUNDES
(terno)
Te perdoo...



Gisela e Fagundes se beijam. A câmera vai se afastando lentamente. Então gira até focar somente em sombras transando.

(fade out)



--FIM--

Um comentário:

Guilherme Rodriguez disse...

Se um dia chegar a gravar, não deixe avisar!
Abraço.