segunda-feira

à minha melhor amante


[tirando a poeira do blog. testando. testando. um, dois. um dois, três. testando]



vem cá, minha moça, digo.
ela sorri e chega mais perto.
calma. doce. triste.
como um acorde de blues num violão
roça o nariz na minha barba
então pousa feito bem-te-vi
a cabeça sobre o meu ombro.

olho para o relógio
quase meia-noite
amanhã tenho de acordar cedo
para ir ao trabalho e conseguir dinheiro
para pagar todas as dívidas
do cartão de crédito e as contas que teimam em se acumular.

na penumbra do quarto
ela  sorri maliciosa
e no meu ouvido confessa num sussurro
quero você aqui.

mas, minha moça, lhe respondo,
já é quase meia-noite e tenho de dormir
para levantar antes das seis
  
ela segura faceira minha mão
e sem pressa a guia
até dentro da sua xoxota
enquanto morde meu pescoço

porque sabe que mesmo tendo
o aluguel, a água, o telefone, a luz
e o cartão de crédito para pagar
eu ainda não aprendi como lhe dizer
não.



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