sábado

11 de novembro

18:37
A internet caiu e minha TV pifou
Acendo o vigésimo quarto cigarro do dia na janela
Enquanto vejo o engarrafamento na ACM
Carros e mais carros e mais carros
E pessoas amontoadas feito bois
Disputando cada milímetro possível nos õnibus
Por um instante agradeço por não ter que ser parte desse pandemônio
De neuróticos
Surtados
Doentes.

"O tédio vai me comer vivo"
Minha estante está amontoada de livros
Nerudas
LLosas
Garcias Marques
Galeanos
Saramagos
Dostoievskis
Tchekhovs
que nunca li
E provavelmente morrerei sem ter lido
(mas vou continuar comprando mais e mais porque gosto que as pessoas pensem que tenho um mínimo de cultura)

Pego meu celular
11 de novembro
Faz uns cinco anos que a gente se conheceu
E pouco mais de dois meses que você resolveu ir embora
Penso em te mandar uma mensagem
oi tudo bom?
manda notícias.
não some, por favor.
como você tem passado?
Mas me engano dizendo pra mim mesmo
Tudo em eu penso é muito idiota
ou brega pra caralho ou vulgar demais
pra caber na tela do seu aparelho


O telefone toca
Acendo o vigésimo quinto cigarro
"Deve ser engano"
É você!
Me dizendo que está com saudades de passar um tempo comigo
E me convidando para passar em sua casa
Enquanto você fala eu só consigo pensar em como sou orgulhoso
Quem sabe ver um filme
Como eu sou orgulhoso
Tomar um vinho
Penso em milhares de obscenidades
Ficar chapados
"tá, já tô chegando".

"O Diabo que vai sair de casa hoje."

19:15


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